O Circo Mecânico Tresaulti e o Steampunk

Já ouviram falar em Steampunk? Pois bem, eu não sabia o que era até esse mês.

Recentemente fui convidada para participar de um clube do livro de Whatsapp. A dinâmica é simples: Cada membro do grupo sugere um título, é feito um sorteio e todos tem 1 mês para a leitura. Passado esse tempo é feita uma discussão.

O livro da vez foi o Circo Mecânico Tresaulti, minha primeira leitura do gênero Steampunk. Vou compartilhar aqui minha resenha e opinião sobre ele. Advertência: Não sou especialista em literatura, apenas fã ❤

Sobre o Steampunk, este é um subgênero da Ficção científica também conhecido como Tecnavapor (diminutivo de ”Tecnologia a Vapor”). O diferencial desse estilo é a tecnologia. Nas histórias do Steampunk a tecnologia à vapor (steam) se desenvolveu mais que as outras e seria o grande invento do homem. E isso é unido à diversos aparelhos mecanizados.

O Circo Mecânico Tresaulti conta a história de um circo de artistas mecânicos que sobrevive em uma época onde todos estavam em guerra. A Chefe do circo é a Boss, que possui o poder misterioso de devolver a vida aos mortos e reconstruir seus corpos a partir de metais, engrenagens e sucatas. Ossos, órgãos e músculos dos artistas são substituídos por peças mecânicas que lhes conferem habilidades humanamente impossíveis, como as trapezistas, que têm ossos ocos, ficando “mais leves que o ar”. Os modificados não eram imortais, mas em alguns casos Boss podia ressuscitá-los. Depois de “consertados” eles não mais envelheciam e ficavam magicamente ligados ao circo.

O cartaz diz “Mais Leves que o Ar”. O clima na tenda é: Veremos.

Quando aceitos no circo, os artistas recebiam novos nomes e abriam mão das armas, ganhando uma nova vida. Alguns permaneciam humanos, outros morriam para acordar especiais. Alguns chegavam por ambição, desespero ou pelo desejo de um lar e uma família.

As pessoas que assistiam ao espetáculo, ficavam maravilhadas. O número mais aclamado era do homem com um par de asas mecânicas, que sobrevoava a plateia. Mas os talentos de Boss chamavam à atenção de “homens do governo” que desejavam suas habilidades a fim de criar exércitos invencíveis.

“Bem-vindos ao Circo Mecânico Tresaulti!”, você aplaude como se sua vida dependesse disso, sem saber por quê.

Eu não gosto muito de circo, então já fiz careta. Mas desafio dado, desafio cumprido.

O início da leitura não foi empolgante. A narrativa é bem diferente daquele “Era uma vez” habitual, onde tudo é entregue de cara. Os capítulos são extremamente curtos (duas ou três páginas) que se passam em tempos diferentes. Quando você acha que vai descobrir algo, pá! A história muda.

Se isso foi um problema no começo, depois de um tempo começou a ficar muito interessante. Foi justamente o que me prendeu à história. A vontade de juntar as peças e descobrir o que vinha à seguir.

Uma outra dificuldade é lembrar dos personagens, são muitos nomes. Mas aos poucos é possível compreender as singularidades em cada um e suas histórias. Não consigo determinar em qual momento comecei a me encantar com esse universo.

A maior parte da história é narrada por Little George que se considerava “cego” e somente muito tempo depois começa a entender os mistérios do circo. É como ficamos nós leitores, com um final aberto à interpretações.

Como a vida dos artistas ficavam ligadas ao circo?

Como Boss adquirira suas habilidades mágicas? Só sabemos quando foi.

Essas são algumas perguntas que ficam no ar. Eu particularmente adorei, e tenho minhas interpretações sobre vários aspectos, mas impossíveis de comentar sem dar spoilers. Pra mim valeu a pena demais a leitura.

Comprei a Edição Limitada da DarkSide, com ilustrações de Wesley Rodrigues:

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